sexta-feira, 3 de junho de 2016

"MÉDICO, CURA-TE A TI MESMO" ( Jesus Cristo- Evangelho S. Lucas 4,23)

Desde criança, eu queria exercer a profissão de professora de Matemática. Gostava dos números e me fascinava com eles. Porém, um valor mais alto se levantou na minha adolescência, que foi a Medicina. Resolvi “cuidar” de outra matemática: a matemática das vidas! São inúmeras as doenças que nos assolam todos os dias nos mais variados momentos da existência. São muitos os doentes presentes em nossos hospitais. Infelizmente, a saúde pública e privada não dão vazão ao imenso contingente de pessoas que carecem de atendimento, de atenção básica, de exames e cirurgias em nossos hospitais. Mas resolvi enfrentar o desafio. Fiz minha faculdade e, com a Graça de Deus (que deu também a capacidade ao meu pai de me sustentar durante a faculdade), me formei. Fiz depois Residência Médica (Especialização) em Cardiologia e Mestrado também nesta área.

Ao longo da minha trajetória como médica, fui vivenciando novas oportunidades de trabalho, fiz outra especialização, agora na área de Gestão – Gestão da Qualidade – e comecei a atuar na área de Gestão Médica na Saúde suplementar (privada). Consegui conciliar a Gestão com a Medicina; ainda estou, aos poucos, aprendendo e desenvolvendo estudos sobre a saúde privada e também a pública, pois a saúde é uma só e deve ser respeitada. Gestão pública é complexo, intrigante e estimulante. Devagar eu chego lá!

Mesmo fazendo pós-graduação e me distanciando um pouco do atendimento a doentes nos diversos plantões e nos ambulatórios em que trabalhei, a todo instante, na minha mente, vem a passagem da Sagrada Escritura em que Jesus fala: “(...)médico, cura-te a ti mesmo(...); Eu não vim curar os sãos, mas sim os doentes. 

Sim, Jesus disse que a essência da vida é cuidar daqueles que estão doentes. E entendo como doentes não somente do ponto de vista físico, mas também os doentes emocionais, os que carecem de afeto, de atenção, de motivação, de ânimo para continuar caminhando; os necessitados em ouvir e ver pessoas que demonstrem calor humano, que falam e fazem o que falam. Às vezes me incluo neste grupo de pessoas “doentes”. Sinto falta de gente com coração “quente” de amor, de paixão pelo que realizam; de pessoas com ideais e personalidade firme para enfrentar os desafios e concretizar seus sonhos... É uma infinidade de vontades que almejamos nos outros e em nós mesmos. A humanidade (e aí também me incluo) carece desses cuidados. Somos todos “doentes” de uma certa forma... E precisamos de cura: cura física, mental, psíquica e emocional.

Há pessoas que acham que são como “gavetas”: hora abrem a “gaveta” emoção, ora abrem a gaveta “razão” e por aí vai. Não. Como achar que podemos nos compartimentalizar dessa forma? Somos uma pessoa só. Temos um universo em nosso interior; nosso corpo funciona de modo complexo, a fim de exercer as funções corretamente. Aliás, permitem-me dizer que o nosso corpo humano é a máquina mais perfeita que existe. Tudo funciona a tempo e à hora; nada se perde, tudo se transforma, parafraseando Lavoisier.

A doença surge por um desequilíbrio em nosso corpo, em nossa mente, em nosso espírito. A ciência já provou que 80% das doenças são psicossomáticas. Psico vem de mente e soma vem de corpo, ambos em latim. E também tem a definição da chamada doença pneuma-psicossomática, acrescentando pneuma, palavra grega que quer dizer “alma”, “espírito vital”. Pois bem, muitos doentes teem “doença da alma”, doença psíquica, e não única e exclusivamente doença corporal.

Aliás, a doença é uma boa auxiliar neste aprendizado. Ela nos mantém consciente quanto à fugacidade da vida e como receber abertamente esta experiência.

Mas como explicar quando aqueles que manteem a vivacidade, a alegria de viver mesmo com doença física, muitas vezes grave, sem maiores possibilidades de cura pela Medicina? Estes são os seres maravilhosos que entenderam a verdadeira razão de viver, de automotivação diária e ininterrupta, independente de instrução escolar. São exatamente essas pessoas as verdadeiras vencedoras, que mesmo nas adversidades da vida, em que não há muita motivação externa, continuam caminhando rumo ao objetivo maior: serem felizes, apesar de...

É essa automotivação que devemos buscar continuamente em nossas vidas. É bom conhecermos esses exemplos de maturidade, serenidade e firmeza de propósitos, que nos ajudam a impulsionar para frente, a agirmos como a águia que voa alto para o infinito.

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